sábado, 26 de março de 2016

Estava Escrito

Estava Escrito
Na velha índia Maktub é o termo para este título (Tudo estava escrito)
Assim como Maktub é a vida
Assim como Maktub são os rios e lagos que desembocam forçosamente ao fim de nossa ponte chamada consciência

Querendo ou não – Seremos confrontados com nosso destino
O caminhar dos passos pode ser lento ou apressadamente ligeiro; mas é o chão que demarca o tempo; assim como demarca na alma as lições não aprendidas.
Como você demarca as suas pegadas e a que profundidade, é de sua livre escolha.
Se nesse trajeto teve tempo de levar nas costas alguém, se houve tempo em que achou pesada demais os ritos do destino, só você pode auferir as pedras - se são ou não um obstáculo.
Eu admiro as pessoas que levitam na vida – quase invisíveis – incólumes a todos os acontecimentos, indiferentes ao processo de solidez de caráter.
Eu as admiro
Porém não me convenço.
Há quem diga que sobrevive de primaveras
Eu digo que há quem se esconde das estações
Existem certos mistérios que ficam por conta do destino nos revelar
Uma matéria nem sólida, nem etérea. Um perfume no ar
Indescritível é a essência das coisas misteriosas: atrai e repele
Impulsiona em direções opostas, para mais na frente nos chocar.
É uma dádiva caminhar sob os raios em dias de tempestades e não se temer nada
É um chamado da vida – entender seus mistérios
Sem dúvidas: Maktub
Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu acaso, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia. BY - Martha Medeiros

Um ser humano para ser repleto precisa de muito pouco

Um ser humano para ser repleto precisa de muito pouco
O exagero é nosso pecado
Queremos tudo ao tempo todo
Sentimos falta de coisas que nem precisamos
Meu maior sonho na vida é conseguir escrever mesmo que seja cinco linhas que valham realmente à pena alguém ler
Minha retórica é péssima
Perco-me pelo coração, por expressar demais.
Meu maior sonho era ter muito dinheiro
Hoje é só acertar
De alguma forma traduzir minha escrita em algo bom – de fato – tocante
Queria ter o dom de escrever as curvas do seu corpo que perdi
De falar do céu na sua mais brilhante noite
De contar qual é a sensação do som do mar tocando os seus pés
Queria ter o dom de profetizar dias melhores
Infinitas risadas
Descrever um momento bom, fazendo-a esquecer de todos os outros tristes
Descrever como um homem se sente em realizar-se como pai
Descrever como uma mulher entra na nossa vida, para nunca mais sair.
Se eu tivesse o dom de ao traçar duas dúzias de palavra e as lágrimas cessassem
Já me daria por satisfeito
Queria realizar-me em poesias que descrevessem um dia inteiro de boa companhia
Queria contar às amizades que tive, sem perder uma só vírgula da riqueza que são em minha vida.
Um homem repleto deve ser capaz de fazer uma mulher pensar nele, mesmo que ele nunca a mereça.
Um homem repleto deveria escrever como uma composição de uma canção
Cheia de rimas
Emoção
Calor
E lembranças

A ideia da experiência

A ideia da experiência
Na grande literatura de Fausto, o demônio assopra a ideia que não importa a experiência que eu tenha, ela continuará insuficiente.
É o começo da vaidade esmiuçada em detalhes
Não importa quanto de sexo eu consiga ter, será sempre insuficiente.
Não importa o quanto de dinheiro ou poder, haverá sempre quem terá mais do que eu; portanto não me logrará suficientemente satisfeito.
Não há viagem, lugar por do sol ou praia que me dará por satisfeito.
Tudo nesta vida é passageiro
Menos a sua marca
Dentre bilhões de seres humanos nascidos e outros tantos partidos desta, o que fica é sua marca pessoal. Característica fundamental
Como quererá que te lembrem?
Outro dia ouvindo um longo caso de um amigo meu, absolvendo todo aquele conteúdo de vida dele, seus problemas, suas ambições, seus medos, suas preconcepções e metas, e o que ele pensava e queria para o atual momento, eu quase me desliguei, quando ele terminou olhou para mim e perguntou:
- E ai? O que tu acha?
Acho que levei uns 30 segundos processando tudo aquilo, e confesso: não tinha a menor resposta plausível. Foi quando percebi que Fausto tinha razão: a gente nunca esta preparado.
Quando eu tinha 15 anos, sabia exatamente o que seria da vida.
Quando tinha 18 anos, eu estava nesse caminho e um passo além.
Quando tinha 25 anos, eu estava quase realizado, orgulhoso e vaidoso.
Quando tinha 30 anos, sofri dois tombos, uma cambalhota, e três piruetas para trás, na escada da vida e voltei 15 anos do meu tempo.
Achei que dali não podia piorar. E não vou dizer que piorou: não é esta a cerne da minha vida.
Mas, achei que já que absolvi aquele conteúdo todo, estava agora experimentado para tudo.
Dali para frente, ao longo de dez anos, enterrei três pessoas de minha mais alta e intima vida pessoal. E não estava preparado também.
Assim como não estava preparado para o diagnóstico
Nem para muita coisa. Não quer dizer que as cicatrizes de cada dor recebida, não me deixassem forte – sim – deixou! Mas, é que não se deve estabelecer conceitos tão vaidosos de si mesmos.
Você acaba desprotegido, exposto, aberto e sofre muito mais pela ignorância própria dos ORGULHOSOS.
Certo dia eu escrevi sobre ajuda: A gente deve pedir ajuda.
Sozinhos, não somos nada.
Mas, antes de pedir ajuda, temos quer ter como certa a obrigação de por em prática aquilo que recebemos de conselhos, da ajuda.
Grande parte, ou pelo menos 80% de todo mundo que eu vi passando nos meus 42 anos; acredita que se fizer algo por alguém, vai perder alguma outra coisa melhor.
Vai deixar, por exemplo, de mais na frente namorar uma pessoa mais bonita ou mais rica.
Vai deixar de comprar um carro melhor ou um emprego melhor
Vai perder a balada ultra mega especial com a galera, porque mudou seu rumo.
É aquela eterna dúvida: ir ou ficar?
No filme Caratê Kid de 1980, o Sr. Miagui fala algo para o Daniel, de infinita propriedade. Um adágio popular oriental de pelo menos quatro mil anos. Poucos deram importância, mas eu estive lá vendo e anotei para mim.
- Se você estiver caminhando pelo lado esquerdo: certo
- Se você estiver caminhando pelo lado direito: certo
- Pelo meio: - Vem o gado e quebra você.
O meio é a duvida. O ponto cego, a tal zona de conforto. Porto seguro sem terra. A ilusão satisfatória que tudo fica bem, se eu não me mexer.
Boa parte da minha vida, eu não me mexia também, e não impedi que as coisas viessem em avalanche. Assim é a vida – Assim é o universo. Penso eu hoje, como os dinossauros olharam aquele enorme cometa de 3 km vindo a terra e destruindo tudo e a todos, deixando 40 anos da vida no escuro, frio inverno.
Os únicos primatas inteligentes que sobreviveram foram os que saíram das arvores e foram para as cavernas. Os que melhor lograram êxito foram os que deixaram de temer o fogo e o controlaram. Os que permaneceram nas árvores, quieto, inertes, pereceram todos.
A sua cama é quente, mas não vai proteger das agruras.
O mar é lindo, mas não tem nada de energético nele. É água e sal, somente.
Viajar é uma delícia, mas sem leitura, estudos, conhecimentos, você passará vergonha.
Transar é ótimo.
Mas sem conteúdo, o corpo se esvazia, e sua alma fica suja.
Beijar é uma maravilha, mas sem uma pessoa boa de conversa, sem uma história triste ou alegre para contar, os nossos dias vão ficando monótonos e a relação fica líquida.
Ter alguém na porta, à disposição, ser popular é uma conquista. Mas sem amizade sincera, sem um amor verdadeiro, sem uma parceira ou parceiro que se importa com seu chuveiro queimado, os estudos de seus filhos, com seu almoço atrasado, com suas lágrimas escondidas, nada disso fica por bom tempo.
Ser feliz é questão de dias. Desculpe dizer: ninguém é feliz o tempo todo. Pelo contrário, somos resilientes com os dias, e alguns outros que eu citei acima eufóricos.
Mas, o verdadeiro conhecimento esta em saber disso tudo e querer tudo isso com qualidade.
Ontem eu pensava em excluir muita gente da vida; hoje já penso em excluir muito conceito morto. Nem sempre tenho razão. Mentira – eu estou errado sempre! Mas putz... Quando acerto uma fico imensamente feliz, alguém em algum lugar me entendeu e pensou em mim.

O homem com consciência e ação esta sempre se esculpindo

O homem com consciência e ação esta sempre se esculpindo
O célebre Professor Leandro Karnal uma vez disse:
Estive por volta de 1995 conversando com uma senhora muito bem casada, mas que tinha na sua vida um trauma muito grande: Ela foi perseguida e torturada no DOPS – uma espécie de polícia para comunista em 1978.
Na sua prisão, ela conheceu o torturado que por três meses seguidos a torturava com tapas, queimaduras de cigarro, abstinência do sono e outras coisas mais.
Depois de findo esse prazo, foi avisado que o torturador em questão seria trocado por outro.
O que a fez entrar em estado de desespero total. Porque ela se perguntava: “E agora? O que vai acontecer com comigo?”.
Indagada pelo professor Leandro o motivo do medo pela troca, ela afirmou categoricamente:
- Após um tempo a gente se acostuma...
-Fica até mais segura e sente que conhece melhor o nosso agressor
- A simples menção de mudança, desestabilizou-me na minha zona de conforto.
Sair da zona de conforto é uma decisão. ´
Toda decisão requer perda.
E existe um custo. Todas as pessoas que são originais em suas essências possuem um custo, que implica pensar sobre o que esta deixando.
Todavia, se for ficar pela inércia, só vai aprender pela crise.
Pela crise é que somos obrigados a mudar.
Tenho que lembrar sempre todo inércio é narcísico por definição. Embora os narcísicos sejam bons construtores de castelos sentimentais; a simples menção de mudanças os apavora.
Entretanto, tudo muda. Independente de minha ação ou vontade tudo, todo dia muda algo em nós, em torno, na frente e na nossa fisiologia. Ficamos mais velhos, nossas células morrem, o mundo morre e renasce.
Não somos as mesmas pessoas de ontem, sofremos ativa ou passivamente influências dos outros.
E no final do dia, assim mesmo, mantendo-se em inércia e aleito a tudo, a vida nos provoca com duas opções: A mudança passa por você ou você a gerencia.
Resumindo: Ou eu faço algo a respeito ou ela fará por mim.
Mudar é realmente difícil
Não mudar é fatal!
Os hindus tem um proverbio poderoso:
Mudar – mudar-se
Mudar – mudando se constantemente
Mudar as coisas que me cerca
E por fim: mudar a si mesmo.
Não mudar implica no falecimento do indivíduo como ser atrativo. Operante. Ativo.
Não mudar nas relações, amizades, emprego amores, resultará no esgotamento final de todas as possibilidades de conseguir chegar à velhice plena de realizações.
Uma grande amiga disse-me hoje:
- Eu já me adaptei a perda
- Tô ciente que não existe mais a possibilidade
- Tô bem com isso
A ideia é boa – a execução é falha – paliativa – pouco produtiva – com tempo curto e consequentemente aberto às novas feridas posteriormente.
Adaptar-se é o mesmo que inércia. Uma inércia perigosa, porque dá a impressão que o sujeito não tem mais forças ou esperanças.
Mudar é a melhor forma de se proteger. É um fortalecimento definitivo. Real e intenso. Mudar com as pessoas, com as consequências, com as novas fases.

A nossa crise maior é da utopia que as pessoas se importam

A nossa crise maior é da utopia que as pessoas se importam
A sociedade de hoje é plenamente utópica e abstraída quanto a sua realização efetiva.
Hoje lembro sempre de um ex professor meu que dizia que a principal meta para o novo século é descobrir o que se faz com as pessoas do antigo.
Minha avó que eu uso aqui como exemplo, era do tipo de pessoa que expressava na sua capacidade limitada sim, mas verdadeiramente embasada, costumava ter a certeza sobre tudo que falava. Ela dizia que o homem não foi a lua. Mas foi sim. Porém assim como ela dizia ter certeza disso, ela tinha certeza sobre tantas outras coisas, que a tornava confiável por uma vida toda. Por exemplo: Ela sabia o que era qualidades de uma mulher honesta. Ela hoje ficaria surpresa com o fato que não se usa mais isso. esta desaparecido do código moral.
Ela tinha a noção clara do que era uma boa educação. Uma clara posição sobre o papel da criança na vida de adultos.
Bullyng? Isso não existia! Se você estava apanhando ela dizia: corra mais rápido, bata ou arrume alguém para te ajudar. Mas não fuja com medo.
Minha avó, assim como várias outras mulheres, homens que figuraram o mundo " antigo " fazia parte do mundo sólido, de pessoas sólidas. Coerentes com o que dizia. Não passava na cabeça das pessoas desse mundo, que o que se falava hoje, amanhã seria esquecido, transmutado, refeito ou mesmo desdizendo tudo o quanto havia prometido um dia antes.
Vivemos a era do DESCARTÁVEL.
Pessoas hoje não consertas aparelhos, coisas ou relações.
Estragando uma amizade, um namoro, casamento - estragando o Iphone, simples troca-se. Trocamos tudo. Ninguém quer refazer, parar, esmiuçar problemas, discutir relações, concluir projetos, ver, rever, nada disso é importante - só o próximo produto.
É, eu estou afirmando nós somos produtos - Próximo!
A sociedade torna por meio do convívio da comunicação torpe das redes sociais tudo em obsolescência.
É preciso lançar o Iphone 7, 8, 9 Plus
É preciso estar na moda
É preciso gostar das casualidades e encontros líquidos
Mesmo que o novo Iphone seja aparentemente uma necessidade, ele não é diferente dos seus antecessores, só o que muda é designer, mas afinal - que é designer mesmo?
Qual é a importância disso na minha vida?
Então o ser humano tem de ser desenhado também?
A barriguinha negativa
O peito siliconizado
A bunda durinha, são essas as metas da nova era?
O quanto é prazer - o quanto é frivolidade?
Eu sei a idade mental e moral de uma mulher, só pelo jeito com que ela abre um papel de presente. Se ela abre delicadamente, dobra e guarda, eu consigo enxergar nela os valores experimentais dela. O quanto ela viveu para valorizar nosso gesto.
Eu sei a qualidade empírica de uma mulher, só pela forma que ela atende uma ligação ou lança um olhar, mexe a cabeça.
Sei exatamente de que século ela veio, quando ela responde de maneira amável aquela mensagem não vista. Eu sei o quanto ela se importa, quando começa tudo dizendo: Desculpa eu não vi.
Eu hoje entendo perfeitamente porque pessoas dormem sendo umas e acordam outras.
A propensa ideia subjetiva que está sobrando tudo. Sobrando gente, sobrando sexo, sobrando oportunidades, produtos e coisas, nos dá falsa sensação de controle.
Não sobra nada, nem mesmo promessas.

Há quem pense ser imune

Há quem creia que o sol não a toca
Assim como a lua não há sensibilize
E há os que precisam dos dois para viver
E assim perdoa os incrédulos
Eu também creio nos seres humanos nascidos com a pura vontade de serem imunizados contra as expressões enamoradas
“Eu não sei o que é amar”
“Eu não me apaixono”
Creio nas duas formas
Tanto nos loucos que acreditam serem sãos
Como nos sãos que acreditam não exercer a atividade de louco invariavelmente
Eis a graça da vida, ela nos escolhe para sermos exceções de mentirinha.
Quando a regra é tirar toda sua razão
Eu não refuto nada
Eu creio piamente que tem gente imune a tudo
Inclusive a si mesmo
Como essa vida faz graça...
Os loucos me entendem..

Quando um adulto aprende a ser criança

Quando um adulto aprende a ser criança
Eu acho que não exista na vida perfeita, obra tão magnânima quanto a pureza de uma criança
Se tiver, Deus escolheu para ele possuir
Sempre que chego na casa de Sophie para vê-la é um tal de gruda e não solta mais
Chego a ficar até 5 horas com ela nos braços ou brincando em qualquer lugar
Pego os 03 brinquedos: Teddy, Lion, Piu Piu e dou para ela morder, bater ou jogar em mim.
Mas, dentre essas coisas todas, o início de nosso contato, é o que mais me chama atenção.
Quando chego ao sábado, geralmente estou o monstro na figura humana.
Barba por fazer, olheiras profundas de uma semana de 110 horas trabalhadas, a roupa já começa andar sozinha comigo dentro. Não estou só cansado, mas trago dentro toda uma bagagem de situações que ocorreram ao longo da semana.
Daí a pego no colo e a primeira coisa que ela faz é tomar distância, colocando as duas mãos no meu peito e se afastar, olhando fixamente para mim, com a cara de “Quem é ele?”.
É surreal, muito engraçada. Umas três vezes, ele repete esse gesto.
Daí percebo como devo estar feio para minha filha. Como devo estar passando uma energia diferente do que ela recebe da mãe e irmãos e toda família que a trata muito bem.
Meu único jeito e razão de conquista-la é fazer aquilo que nós adultos perdemos quando crescemos: - Verdadeiros
Somos relapsos: Esquecemos dos outros
Somos viciados: Pensamos só em nós
Somos imprudentes: Diminuímos a importância das pessoas
Somos craques: - Em dar desculpas
De um modo eu tiro a máscara tola que guardo como se fosse o meu maior tesouro; achando que me sirvo bem dela, e passo a deixar a pessoa de dentro falar.
Mudo a voz para personagens infantis, canto as únicas duas músicas que eu sei completas:
Atirei o pau no Gato
Parabéns para você
E tento fazer com elas um show musical para Sophie. Canto, bato palmas, imito o gato e vejo a minha filha ainda olhando para mim, como se eu fosse um desconhecido.
Lógico que Sophie tem sete meses e não poderia ser de outro modo, mas a gente sabe o que ela mais gosta: Ir para rua e ver o movimento das pessoas e dos carros. Sentir a brisa no rosto, olhar o céu, rir com as plantas. Minha filha tem uma alma de povo livre. Assim como minha Mikha tem de escritora. Dou a ela meus braços e abraços. Pernas e toda força que meu corpo grande, sustentado por uma coluna velha pode dar. A gente se encontra de fato nessa hora. Ela se lembra de quem eu sou, e canta comigo as mesmas duas músicas. Espera a hora exata do “miau” para também fazer na vozinha dela. Ou bate palmas no meio da canção de Parabéns para você.
Quando finalmente vou sentar e coloco os 03 brinquedos favoritos dela, tá uma pessoinha mudada. Ela fica toda relaxada e confiante que vou brincar até ela ficar com sono. Cantaremos juntos todas às duas canções que seu velho pai sabe. E quando o moço da rua da frente ligar o som no mais alto volume, colocando seu forró antigo ou as músicas do tempo do ronca, a gente vai dançar. Eu de novo vou pra frente da casa e ficamos desavergonhadamente dançando um forró que só eu sei dançar ou balançando de lado em um momento Altemar Dutra, Valdick Soriano. A minha filha acaba por se render e dorme... Um sono profundo, que vejo a chupetinha dela cair.
Daí então percebe-se o quanto tempo se perde tentando ser bruto. Tentando ser adulto demais. Bitolado demais. Agindo como se fossemos nós os únicos seres da terra a ter problemas e cansaço. Adoramos as pechas de “sinceros demais, chatos, brabos” e quando muito, adoramos nos salvaguarda de todos, colocando-nos acima dos sentimentos alheios.
Crescemos colhendo desculpas para tornar uma criança em um adulto bipolar
Catamos pedras para nos armamos toda vez que alguém ousa passar da linha amarela demarcada.
Eu sei, soa “excessivamente romântico!”.
Mas, não vou me desculpar por isso! Os meus sentimentos não são mesquinhos, ao ponto de me achar pronto para vida.
Eu também percebi que Sophie na semana que vem vai me esquecer de novo. As mesmas caras e bocas que eu vi, ela vai repetir. As mesmas desconfianças quanto ao homem na sua frente eu vou rever dela. Mas, também sei que posso muito bem mudar e voltar a ser o bobo dela. O cara que só faz bobagens e gracinhas; ao ponto de criar nela a expressão tão sincera quanto verdadeira: “Água mole em pedra dura – tanto bate até que fura”.
Daí quando ela estiver bem cansadinha, vai receber meus braços e abraços: sincero isso eu posso dizer. São sinceros e verdadeiros, tanto quanto eu posso tirar de mim essa alma de criança. No que me tange ao adulto? Tenho cá com meus botões que fica difícil um adulto se soltar e ser feliz de novo, usando só máscaras. Gostaria que um dia tudo que fosse “excessivamente bom” não tivesse a conotação de ruim. Eu, você e quem quer que leia essas palavras, sabe que o caminho que escolhemos é o que chegaremos ao final. Eu quero chegar com pessoas que sintam minha falta; não necessariamente pelo que eu sou, mas pelo que posso ser.

Nada sei do que sei...

Nada sei do que sei...
Tenho aprendido a não esperar muito do outro. Porque reconheço que o outro, assim como eu e todas as pessoas do mundo, tem as suas limitações… Mas da vida eu espero tanto!
Talvez por considerar que ela ilimitada na sua essência de nos surpreender como é, seja a cura para todas as limitações que eu, o outro e todas as pessoas do mundo, temos.
Dos sentimentos eu não sei muita coisa… Só que a alma é densa, o pensamento é leve, algumas vezes despreocupado, contradizendo tudo e desfazendo todo o sentido que cabe dentro de uma compreensão. Como sempre é quando mergulhamos nessa lógica irracional – onde mora o ser humano – do que é, e do que não é ao mesmo tempo.
Do amor eu não sei muita coisa, mas reconheço o seu cheiro de brisa bem antes de qualquer aproximação do vento. E mesmo quando ele não me vê, avisto de longe os suas cutucadas, às vezes fortes – às vezes um alento.
Como eu não sei muita coisa, minha vontade de saber afirma que talvez ambas as coisas prefira morar dentro, sei lá. Talvez se sinta mais seguro, onde só cabe a sua própria felicidade; onde ninguém mais toca. Ou não queira mesmo que eu saiba muita coisa sobre a sua vida. E dói saber do amor e do sentimento eu não sei quase nada, quando na verdade eu queria descobrir os seus avessos, mesmo que os seus avessos sejam totalmente incompatíveis com os meus. Eu não aprendi a me enxergar ainda, mas eu aprendi a lidar com as imperfeições dos outros, quando perdoei todas as minhas…
É… Definitivamente eu não sei! E mesmo não sabendo quase nada, ouço vozes que me movem; as suas palavras desencontradas, quando visito o meu próprio silêncio. Encontro me perdido desse seu jeito desencontrado de ser, de não saber aonde ir, onde estar, o que dizer, sem parecer ingênuo e ridículo.
A minha razão não espera quase nada de ninguém mais, enquanto minha alma tola , espera tanto. E ainda que eu não espere quase nada, sinto uma vontade imensa de percorrer os 04 cantos e me misturar nos seus vazios, mesmo sabendo de todos os riscos. Talvez pelo meu jeito torto de ser meio complicado, contraditório e dolorido, eu queira estar ali, salvando vidas: a minha e a dela. Talvez por supor – dentro dessa pequenez humana de se achar maior do que se é – que as coisas, pessoas, e o resto, realmente precisem de mim, dizendo bobagens, cantando músicas infantis, corrigindo pensamentos, que atenue o sabor amargo dos seus dias. Ou por supor, ainda dentro dessa pequenez humana, que as minhas “ideias brilhantes”, podem lhe fazer voar sobre o amor que passa bem na sua frente, mas que , distraído e tímido, não vê.
Dela, da vida - eu não sei quase nada. E quase nada é muito para o pouco que a sua falta de coragem me revela. Só sei sobre aquilo que me dizem; sobre aquilo que ela mesmo nunca me contou. Só sei que o que ela é a partir da concepção dos outros, contradiz todo o meu querer; não pela minha sonora incapacidade de resolver, quando nos deparamos com o abismo que existe entre aquilo que desejamos e recebemos da vida, mas, pelo que ela não foi e não será capaz de ser e fazer por mim.
É… admito eu não sei mesmo muita coisa. E realmente não tenho nenhuma garantia de que algum dia, eu saberei. E se souber, talvez, a minha coragem de permanecer firme , enfraqueça; vai saber… Mas amor, vida e sentimentos é sempre um risco, que a gente precisa correr, para experimentar.

Existe uma verdade por trás de todos os textos escritos da minha vida.

Existe uma verdade por trás de todos os textos escritos da minha vida.
Lá estão repletos de correções pendentes de serem corrigidas pelo tempo inexorável de medida de tempo: passado
Há em cada nota de rodapé
Há em cada rascunho jogado fora
Mais verdades que eu possa aguentar
Linhas tortas
Várias perguntas que terminaram em verdadeiras dúvidas
Muitas revoltas finalizadas em exclamações sem respostas
Muitos parágrafos pausados em linhas sem inspiração
Conclui diversas frases querendo dizer outras
Recolhi em resiliência vontades de por pontos finais
Quando cheguei nos dois pontos cruciais: ficar ou ir - escolhi meu final, justifiquei com mais reticências...
No tempo presente, parênteses é uma opção razoável. A gente destaca simplesmente o que nos remete ao bom começo.
Dentre todos os fins de textos...
A vida sempre premia aqueles que reservam parte do melhor para o capítulo seguinte.
Que a vida se escreva somente pelos nossos amigos e queridos presentes...que toda palavra seja composta de um final feliz na frente...

Minha homenagem vai para todas as mulheres apaziguadoras

Minha homenagem vai para todas as mulheres apaziguadoras
Escolho não referendar o lado guerreira da mulher, muito embora sei que exista com profusão. Quantas "pães" você conhece que não faça tão bem o nosso papel?
Minha homenagem poderia ser individualizada. Poderia falar da minha mãe, minha tia ( duas mães maravilhosas), minhas filhas ( duas das dádivas de ser pai. Ambas cheias de força, carisma que me encanta cada dia). Poderia falar da minha vida vazia sem a presença maravilhosa da mulher MULHER que nos coloca para cima, nos fortalece - nos impulsiona a querer ser cada dia mais e melhor.
A força motriz de uma mulher é capaz de catapultar e subjugar todos os homens da terra, apenas com um olhar.

Desejo de coração homenagear a mulher que determina que sua casa será um lar. Que sua presença será a única na vida de um homem. Desejo agradecer a cada gesto de saudade, carinho, atenção, consideração que têm conosco, mesmo nós seres falhos - não merecendo tal capricho.
Desejo retribuir minha dívida aquilo que ganhei a vida toda em créditos de atenção.
Somos todos em débitos diários por acordar e ter um ser vivo tão importante, grandioso e apaixonante quanto a MULHER. Feliz dia Internacional do dia da MULHER!!

A gente também pensa demais

A gente também pensa demais
Tive uma conversa nesses dias profunda com uma pessoa amiga. Ela vive aquele furacão da relação que sai acabando com tudo quando termina, e volta como tempestade pré anunciada com raios e trovões - avisando hoje tem chuvas de lágrimas!
Falei da vibe atual dela, e ela me disse: " Alê, não sei qual é a minha vibe (...) nem sei se passa ou vai passar"
Eu compreendo bem isso. A gente tem como base dizer que se sente melhor sem a pessoa. É um instrumento adequado de informação ao cérebro. Mas, quem diz que racionalizamos as coisas? Tem muita gente que não inicia nada amoroso, por medo de sentir amor; mas diz que é porque não se apaixona; não sabe que é se apaixonar.
Eu finjo que creio e ela finge pior ainda que sabe exatamente o que diz... O problema até nem sou eu que para acreditar, o duro é a pessoa concluir que vive sem o tal afeto.

A gente sabe viver só. A solidão até é cura para muitos problemas. Quando não se tem quem afague o coração, pode até ser que demore acontecer, mas ninguém... repito... ninguém esta imune ao bom e velho colo do sofá, com afago nas costas e cheiro do pescoço. O café com sorriso. O cutucar um ao lado do outro. O pensar-discar-brincar-no-celular para chamar atenção.
Ninguém foge por muito tempo dos bom dias e boas noites regados aos kkkks. Há claro quem deteste aproximação; eu sou desses que quando não tem liga, sou dos não me cutuque. Mas, dizer que dessa água não beberei é subestimar a inteligência sentimental que é provocada pelo tiro fatal do amor.
Por mais bruto que seja, temos no peito um coração e não um caroço.
Todavia eu compreendo que hoje não passe sua vibe pesada, feito correntes fantasmas do passado. E nem precisa passar, passa quando puder, no tempo que der - só não pode passar a sua felicidade.