Busca alguém que pelo menos lembra o que conversou contigo ontem.
Não tem prova maior de interesse do que ser ouvido e lembrado em todos os pormenores. Eu falo a vida todo de gestos e ações, só palavras viram borrões em lágrimas. A começar pelo gesto da lembrança. Não adianta doar poesia se alma é fria. Tem que haver conteúdo para ser tempo futuro.
Ora, se você não se esmera em adquirir conteúdo, nem que seja sobre si mesmo, como é que exige da outra profundidade? O atual mundo te pede algo além de fotos postadas em páginas sociais. Só sair, não gera conhecimento. Só ficar não diz nada. Só sexo, não revela intimidades. Retorno a dizer: - Se a outra pessoa não se lembra dos assuntos relevantes conversados pelos dois, não é amor; porque amor marca, escreve, anota contextos indeletáveis.
Não há nada mais frustrante do que descobrir que não existe memória no outro. Tudo se passa muito desassociado, distante, sem histórico. A primeira atitude dos seres humanos modernos é se expor em descobrir no outro costume, associações, gostos, paladares e sonhos contidos; é o início onde começa a se revelar se haverá banquinhos de praça para se sentarem ao por do sol. Sem uma história por trás não existe relevância.
Queira alguém que não te pergunte o que você disse ontem...
Crônicas do dia a dia, frases, pensamentos e curiosidades
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Excedeu no Tempo
Algumas vezes o amor é desde o início, mas também recebe o nome de afinidade. Não se permitiu roubar um beijo quando ainda tinha forças. Não usou da poesia da franqueza para declarar amor. Quis proteger uma ligação repleta de desejos, convertendo-a em afeição. Tomou de um respeito bobo, não avançou todos os sinais.
Surgiu então um medo de se ferir. Contentaram em se ver por desejos, e por acenos, perderam-se no olhar.
Falavam de confidências para suprimir vontades, escondeu a atração forjando lealdade, ocultaram a possibilidade de sexo para não falarem de dúvidas a respeito da cumplicidade que corria dentro do peito.
Travaram com desculpas, a inquietação que reinava no silêncio e na saudade.
Tudo se encaixava perfeitamente. Concordavam antes mesmo da conclusão dos fatos, falavam de filmes e se permitiam discutir o que vinha à mente com liberdade total, sem filtros.
Gastaram todas as palavras um com o outro, menos as que falavam das coisas do coração. Omitiram declarar o que sentiam. Tinham um tipo de conversa singular, com risos soltos, conversavam sobre músicas e seus significados. Argumentavam promessas sem um futuro.
Aguardaram que a vida reunisse todos os planos e provas de se encontrarem juntos, quando nunca existiu julgamento.
Caça aos "médiuns"
Com 27 anos acompanhando a vida espiritual de perto, eu sei e muitos amigos meus sabem, só não dizem: " Fora da casa espírita, não existem mediunidade boa." Tudo é muito confuso e mais do que isso, gera desconfiança.
Com 27 anos acompanhando a vida espiritual de perto, eu sei e muitos amigos meus sabem, só não dizem: " Fora da casa espírita, não existem mediunidade boa." Tudo é muito confuso e mais do que isso, gera desconfiança.
Eu digo que mais de 50% dos médiuns, não são médiuns! São prestidigitadores, são enganados por suas crenças, são fanáticos ou simplesmente esforçados em deter um dom que não tem. Quem frequenta casa espírita, não quer dizer que seja médium, muitos nunca serão, nem tentarão ser. Já outros irão se esforçar e até fingirão ser. O que causa toda esta celeuma como o caso do João de Deus e o falso médium da reportagem. O João de Deus, e concluo que já foi um dia um ótimo médium, mas perdeu sua condição de mediunidade e passou a forjar por vaidade e ganância.
Minha única dica é: Nunca fale nada da sua vida numa casa espírita. Não conte seus problemas à ninguém. Entre calado e saia calado. Se a resposta que você procura vier em forma de mensagem ou cura, foi a vontade de Deus! Nunca será do médium. Ele só é instrumento, não é ação. O pior dos defeitos espíritas é se mostrar sem proteção.
As coisas que precisamos ouvir
As coisas que precisamos ouvir
Muitas vezes as palavras que não podemos pronunciar são as mais verdadeiras, mesmo as que podem magoar, porque elas dizem coisas do coração que a razão manda evitar. Não é de propósito, é por medo, não é para atingir, é para fugir. A palavra tem um dom de encher a alma até transbordá-la, de romper barreiras, curar feridas, ou de nos machucar. Cada vez que dizemos algo, uma janela se abriu em algum lugar para que uma porta tenha que se fechar.
Tudo que exige esforço deixou algo para trás. A poesia nasceu da tristeza que deu formas de escrita a alegria.
Interpretar a vida é como um filme, às vezes ignora-se o texto todo porque não importa mais dizer as falas, deixe-se ficar atuando em um filme mudo. Faz bem não participar.
As palavras que já foram ditas, não podem voltar atrás.
As pessoas não fazem nada que já não estejam querendo fazer a muito antes de dizer. Não se força um pássaro voar, sem antes Deus pintar as asas.
Eu não acredito nas pessoas felizes para sempre
Todos os meus bons amigos que convivo até hoje, possuem um traço de tristeza no olhar, uma leve depressão na pele que ressalta marcas de cicatrizes; muitas ainda não completamente curadas. Não são pessoas insuportáveis, muito pelo contrário, agem com pessimismo apenas nos que praticam excesso de felicidade; porque eles sabem a hora de contar com a boa compreensão que tudo que sobe, tem de descer.
Eles não estragam seus dias, criticando a ponte construída de suas vidas. Muitos deles sofreram com bullyng, mas não se permitiram diminuir nas adversidades. Existe uma forma de honestidade em suas condutas que vai até nos conselhos mais simples. Nenhum deles surgiu do sucesso idealizado de seus pais, entenderam que ter um pouco de tristeza faz bem, assim como a fé e a certeza que o amor existe para quem deseja tê-lo.
Uma parte deles, já vira alguém que ama se for da Terra. Mais da metade deles choraram por amor, erraram em escolhas, apontaram deslizes, caíram em buracos prontos do destino e outros tantos se tornaram frágeis quando tudo que queria eram ser fortes.
Não foram tão felizes, porque a felicidade tem sinônimo de esperança. É sempre a ultima...
Eu sei que quando estão rindo é porque choraram antes, e quando estão tristes é porque espera a felicidade entrar na vida deles de novo. Cada um sabe as limitações que têm os fracassos que nos cercam os motivos que nos faz levantar e seguir o dia lutando.
Faz anos que aprendi que vida pessoal só interessa a você mesmo. Eu não sabia ter uma, era como todo mundo um exibicionista cotidiano. Achava bom estar em foco. Depois de alguns erros, descobri que as pessoas visualizam para ter matéria robusto do que falar. 50% são fofocas. 40% curiosidade e 10% torcem por você. Relacionamento, a gente guarda no cofre do coração. Se deu certo, vai para prateleira das prioridades. Errado: para o limbo, lugar onde fica tudo que não se quer lembrar mais. Você é o maior ganhador, porque não teve que explicar nada. Se amou, foi ótimo, se levou um fora, deixa doer, mertiolate doía também, mas era para nosso bem. Ninguém aconselha tão bem que sua própria consciência quando fez de tudo. Quem te apoia hoje, amanhã apoiará outros, melhor não contar com isso sempre. Amigos do coração não fazem distinção. Te colocarão sempre na lembrança de todos os eventos. Os que não chamam, são selecionistas ou nunca gostaram de fato. Para de reclamar deles! Eles não te enxergam. Não enxergue também. Rede social a gente mostra pensamentos, textos, bichos, vídeos e tudo que puder ajudar alguém a sorrir ou ser melhor. O amor já existia antes das cartas, dos poemas, do rádio e TV. Por que é que agora só vale se for nas redes? Quem te quer mesmo, vai fazer de tudo para estarem juntos. Sem necessidade de aprovação deste ou daquele. Quem não quer você já sabe: tem todas as desculpas do mundo.
Não somos as vítimas!
Não somos as vítimas!
Acompanhei um depoimento de uma senhora de 62 anos, muito revelador! Ela contou sobre um abuso sexual que sofrera com o tio aos 19 anos. Nesta época, jovens não tinham credibilidade para denunciar coisas tão contundentes; resolvera ficar calada sobre o corrido. O tio nunca mais encostou nela. Mas disse que o estrago emocional já tinha sido feito. Não que ela soubesse na época. Ela contou que teve três casamentos e dois noivados. Uma coisa fora do padrão da família e que isso envergonhavam eles. No começo, não ligava se a achavam a ovelha negra. Após se formar, um mestrado e um concurso muito bom - começou a pensar que não precisava de mais nada e nem ninguém palpitando em sua vida. Com 57 anos, descobriu-se em depressão e com um tumor no estômago (operável), mas a depressão estendeu-se adiante, agravado pela morte dos pais idosos e pelo único filho que foi morar nos EUA. Ela o tinha na conta de tê-lo sempre ao lado, deu de tudo, mas ele fracassou em seus casamentos também. Caiu a ficha: - “Percebi que minhas relações todas eram baseadas na experiência com o meu tio. Os homens com que me relacionei eram do mesmo naipe, mesmo trato”. Ela disse também que depois de muita terapia, que só amenizavam, mas não explicavam, entendeu tudo de repente, quando um dia observou a sobrinha que sofria da síndrome do “dedo podre”. O caso dela era de violência doméstica. Tinha apanhado do ex-marido, sido traída e trocada - consequentemente vivia saindo de uma relação para outra, sempre com traições, amantes, casamentos desfeitos, a sobrinha só entedia o confronto com homens, como estivesse os punindo pelo tipo de homem que se casou. Isso revelou o seu problema. Percebia agora que fazia a mesma coisa: Tentava controlar e enfrentar todos os homens da sua vida, como se fossem o tio que ela não enfrentou no passado. No fundo ela achava que tinha fraquejado, tinha cedido ao abuso e foi culpada também. Enfim, esta batalha durou 62 anos. Hoje sozinha, sentia que tinha gasto todas as suas energias em vinganças tolas. Cada pessoa é uma pessoa. O que deixamos de enfrentar hoje não some simplesmente como a mágica. Se não enfrentarmos, eles (nossos demônios ), vão nos consumir e ganhar a guerra.
Ninguém morre não!
Ninguém morre não!
- Morre sim!
Tenho ouvido isso de muitos espiritualistas, ouvido até demais para meu gosto. Até que um dia, eu acordei de ovo virado e ao ouvir pela milésima vez essa falácia de um querido amigo; resolvi interpela-lo , pedindo o seguinte favor:
- Nada diga isso a torto e a direito!
Tudo que um suicida quer na vida é um motivo para se matar uma razão que diga que em outro lugar, talvez a vida seja melhor.
Eu sei que a frase é filosófica, afirmando que a alma sobrevive depois da morte. Eu sei, presencio isso quase todos os dias, nas muitas razões que vejo as pessoas perdendo entes queridos e pedindo por mensagens e respostas.
Mas, viver é ainda mais fundamental que passar pelo outro lado. Viver é primordial para morrer em paz. Com a certeza que tudo foi cumprido em tempo.
Se você pular de um prédio, não há quem pare a sua trajetória. Um tiro disparado, a bala não desvia sozinha. Se pular na frente de um caminhão vai morrer, muito provavelmente.
Vai morrer em qualquer situação que queira procura-la. A Dona Morte não se faz de difícil. É amante quente nos beijos ardentes da arte de seduzir para o seu lado.
Você vai morrer se quiser antecipar isso!
Sou contra a propagação da BOA NOVA ESPÍRITA! Deixa para pensar nisso no dia. Por enquanto, viver é o melhor dos gozos. A forma mais nobre de prestar apoio alguém é participando da vida.
- Morre sim!
Tenho ouvido isso de muitos espiritualistas, ouvido até demais para meu gosto. Até que um dia, eu acordei de ovo virado e ao ouvir pela milésima vez essa falácia de um querido amigo; resolvi interpela-lo , pedindo o seguinte favor:
- Nada diga isso a torto e a direito!
Tudo que um suicida quer na vida é um motivo para se matar uma razão que diga que em outro lugar, talvez a vida seja melhor.
Eu sei que a frase é filosófica, afirmando que a alma sobrevive depois da morte. Eu sei, presencio isso quase todos os dias, nas muitas razões que vejo as pessoas perdendo entes queridos e pedindo por mensagens e respostas.
Mas, viver é ainda mais fundamental que passar pelo outro lado. Viver é primordial para morrer em paz. Com a certeza que tudo foi cumprido em tempo.
Se você pular de um prédio, não há quem pare a sua trajetória. Um tiro disparado, a bala não desvia sozinha. Se pular na frente de um caminhão vai morrer, muito provavelmente.
Vai morrer em qualquer situação que queira procura-la. A Dona Morte não se faz de difícil. É amante quente nos beijos ardentes da arte de seduzir para o seu lado.
Você vai morrer se quiser antecipar isso!
Sou contra a propagação da BOA NOVA ESPÍRITA! Deixa para pensar nisso no dia. Por enquanto, viver é o melhor dos gozos. A forma mais nobre de prestar apoio alguém é participando da vida.
Quando é que temos certeza de alguma coisa? Nunca.


Muitas vezes sumimos porque precisávamos. Quando estávamos antes, nossa cabeça encontrava-se em outro lugar. Outras vezes desistimos fácil, em outras corremos léguas, encontramos força onde não tem, mas em muitas sentamos a beira do rio para jogar apenas pedras.
Descrevemos a vida com uma vontade tão grande de estarmos certos, muita embora, não confiemos em nós mesmos. A verdade, no entanto é que sabemos pouca coisa da vida, até que nos dispomos abrir a maçaneta da porta e enxergar o todo. Mais da metade das pessoas que conheço, estão trancadas no coração e nas emoções, fechadas em suas casas e apartamentos. Entra ano e sai ano, só promessas. Não queremos perguntar: “Você está bem? “, porque isso demandaria tempo e interesse por elas. Algo que não é fácil hoje em dia perceber. Deste momento só se leva o que se recebe do bem ou do mal que se dá ou se nega receber. Independente da sua velocidade, quem acelera e freia é o destino.
Só espero que um dia alguém deixe de querer ter sempre razão, para ser feliz. Sem botar na conta do outro a obrigação de fazê-la ser feliz. Aprenderíamos que existe uma brecha entre aquilo que gostaríamos de ver e o que podemos ter. Diminuiríamos a perda de tempo que se tem só imaginado, partindo para o verbo presente do viver. A melhor das escolhas consiste em pessoas que fazem o nosso silêncio ser confortável, nossa programação para o dia seja única. Independente se é de um restaurante, padaria ou pipoca, sentados ou esparramados na sala de estar. Cultivando no outro o olhar simples, de quem faz e sente sorrir o sentimento que o dia não precisa de presentes para ser feliz. Ser exatamente como você é. Melhor vida não há.
sábado, 14 de julho de 2018

Uma pergunta óbvia o que é isto?
- Um copo dirão os amigos, antes de me zoarem...
- Quanto pesa este copo cheio?
Não pense que vou falar meio cheio, meio vazio, longe disso... Quero saber o peso do copo, só isso!
Provavelmente não importa mais para mim saber o peso, o que importa é : Se eu segurar este copo por 2 minutos, conseguirei aguentar sem problemas, se eu segurar por 1 hora, terei muita dor, mas se eu ficar com ele até o fim das minhas forças, com toda certeza sairei machucado, com sequelas e tudo o mais...
- Mas, o peso do copo mudou?
- Não! Mesmo sem saber que ele poderia pesar entre 350-500 gramas cheio, o peso dele nunca mudou, mas minha dor sim! Ela se intensificava a cada tempo que eu permanecia segurando ele. Talvez quantos de nós, estamos segurando pessoas ao nosso lado, empregos, famílias, amizades e casamentos que desde o início possuíam o mesmo valor e nunca ninguém quis fazer nada para aliviar a nossa dor?
Tudo na vida, precisa ter uma contrapartida, sem exageros, sem reclamações, imposições ou ameaças. Aprendi que dizer " nunca mais " é uma metáfora da boca que fala algo, pensando em outra coisa, e que " ciclos " significa oportunidades de voltar a fazer o certo desta vez. Aprendi também que fazer os filhos verem uma relação infeliz é um ensino ruim para a vida toda. Ninguém vive a nossa história, no máximo temos exemplos e alguém que disse que já viveu, já passou...
terça-feira, 3 de abril de 2018
A morte de Nina...
Texto de Luciana Miranda: Perita do IML da PB
A morte de Nina...

São quase cinco horas da manhã, logo mais pego a estrada de volta a JP após mais um dia duro de trabalho, deveria dormir, mas preciso fazer essa singela homenagem a Nina, para que tudo que aconteceu com ela, não fique completamente esquecido, pelo menos eu não vou esquecer...
Sei que não terão manifestações na internet, Nina presente, afinal, acredito que ela era invisível quando em vida, certamente continuará invisível em morte, mas não para mim...
Cada um faz o que pode, uns adotam em vida, eu a adotei em morte.
E assim conheci Nina: Perícia acionada por volta das 20h, enquanto eu realizava um duplo homicídio bastante divulgado pela imprensa local.
Cansada, torci pela nova ocorrência não ser muito longe, nem muito complicada, mal sabia eu do nível de envolvimento emocional que ela me traria.
Seguimos para o endereço declinado e chegamos as margens de uma BR, estava escuro, noite fria, sem lua, chuviscava vez por outra.
Olhei para baixo, era um Terreno, uma descida íngreme, terra solta, molhada, escorregadia, muito Mato, pensei na minha segurança, pensei nos filhos que preciso acabar de criar, solicitei apoio aos Bombeiros, não conseguiríamos resgatar o cadáver sem o apoio dos Anjos da Guarda.
Um colega da Delegacia de Homicídios prometeu servir me de apoio na descida, garantiu me levar me segura até o local, decidi descer com ele, na Polícia n se tem muita opção, é necessário confiar nos nossos iguais.
Peguei o material e começamos a descida, ele mais embaixo e eu quase pendurada nas costas dele, ainda bem que arranjei um colega forte o suficiente para me segurar (abro parêntese para fazer um pouco de inveja às amigas, eu estava muitooo bem segura, tá?), descíamos e escorregávamos, nos apoiando um no outro.
No caminho descobri que a população utilizava o terreno para depósito de lixo, sacolas, latas, resto de todo tipo de objeto....Nina foi descartada como lixo!
Encontro o primeiro vestígio de Nina, uma sandália feminina, pé pequeno, devia calçar 35, como eu; tratava se de uma sandália estilo Havaianas, mas com tiras duplas, cinza, tão delicada qt a dona dela, que eu estava prestes a conhecer.
A sandália encontrava se emborcada, primeiro sinal que alguém arrastara Nina ate la embaixo.
Descemos mais, deparo me com um preservativo masculino usado, achei um péssimo indício.
Chego na parte baixa do Terreno, molhado e irregular e lá estava ela; Apresentava se deitada em decúbito dorsal, braços flectidos, próximos ao corpo, mãos em garra, olho suas Unhas, eram grandes e mal cuidadas, a posição das pernas me fazia ainda mais acreditar no que eu não gostaria de crer.
Ela era linda, desculpem os muito católicos, não tenho intenção de ofender, a mim mais parecia uma santa.
Era morena, de uma cor jambo, cabelos curtinhos, brilhosos, negros como as jabuticabas, nariz afilado, rosto também, sobrancelhas bem delineadas, lábios grossos, boca e olhos fechados, cílios longos, rosto voltado para o Horizonte, parecia que dormia, dormia o sono dos justos, dos inocentes, dos de alma limpa.
Tinha a minha altura, mas era magra, longilínea, não sei que idade tinha, acredito que tinha algo perto dos 25, uma tatuagem com um beija flor, me confundiu....ninguém tatua mais beija Flores, há mais de quinze anos as mulheres deixaram de tatuar coisinhas delicadas, será que Nina teria 30 anos?
Ela se vestia diferente, usava um vestido tomara que caia longo e folgado, um cinto com elástico e pedraria, um sutiã bege, uma blusa Preta, um pulôver e um cachecol preto enrolado no pescoço; Por baixo disso tudo ela usava uma anágua Preta, lembrei-me da minha avó e pensei, será que estou louca? Será que Nina era portadora de problemas mentais? Será que era hippie? Moradora de Rua? N sei!
Preciso constar que as roupas usadas por Nina, nada tinham de sexy ou provocante, então, nem os machistas podem usar seu argumento baixo de que ela provocou.
A pele e o cabelo bem cuidados não eram compatíveis com os pés rachados e unhas sujas, os pelos por fazer, também eram fora de padrão, seria Nina uma feminista?
Prosseguimos o exame e mais um indício muito triste, Nina estava sem roupa íntima, infelizmente minhas suspeitas começavam a se confirmar.
Pendurado num galho de Mato, enxergo o involucro de um preservativo feminino, aberto, recolho o para exame, juntamente com o, masculino que havia achado antes.
A perícia dá conta que ela estava ali, morta e sozinha há pelo menos 24h.
Recolhemos Nina, não havia sinais externos extensos de violência, apenas percebo o cachecol dado muitas voltas em torno do pescoço, além de muito apertado.
Peço para folgarem no e visualizo um sulco, em mim já existia a quase certeza de tudo que aconteceu a Nina.
Olhava para ela e me sentia familiarizada ao seu sofrimento, n sei se o afeto se deu em virtude dela parecer fisicamente com duas amigas muito queridas, ou mesmo sem saber o porquê me sentir semelhante a ela.
Dizem que o que nós gostamos nos outros, nada mais é que o reflexo das nossas semelhanças.
Dia seguinte, após anos sem ir numa sala de necropsia, acordei logo cedo para ir ver Nina e sua necropsia.
Após receber autorização, integrei o grupo daqueles que fariam aquela importante e árdua tarefa, porém decisiva para sabermos como foram os últimos momentos de Nina nesta encarnação.
Abro um parêntese aqui para tentar entender como em meio a demonstração real da importância do IML, da Perícia como um todo, permanecemos com o IPC de João Pessoa fechado e sem nenhuma demonstração de interesse político para resolver a questão .
Voltemos a Nina...meu segundo encontro com ela não foi menos chocante, lá estava ela, inerte sobre a mesa de inox gelada, conservava o mesmo semblante de serenidade com que a encontrei no meio do Mato.
Não posso revelar o resultado da necropsia, mas posso dizer que Nina ainda tinha dentinhos de leite (por isso o nome que dei a ela, abreviação de Menina), também posso dizer que levantou se a hipótese dela ser deficiente visual.
Recolhi o cachecol, solicitei exame de coleta de material biológico e estou torcendo para que quem fez aquilo com ela, seja preso e pague cada momento de angústia a que ele a submeteu .
Quanto a mim, irei procurar saber notícias de Nina a cada plantão, saber se a família a encontrou e tentar descobrir quem era Nina.
Caso a família não apareça, aguardarei o período legal e vou cobrar um enterro com a dignidade merecida, faço questão de comparecer, levarei velas, flores, preces, só não levarei a paz no semblante que Nina estampava mesmo depois dos horrores a que foi submetida, ao contrário, levarei minha cara de indignação por morar num país onde sacrificamos as Ninas e defendemos os bandidos...
Bom dia! Nina presente!
Parenteses do autor do blog:
Vinte e sete anos de espiritismo, um irmão morto em circunstâncias similares, mas não parecidas quanto a sua, e depois de ler diversos relatos e até ouvir... ouvir? É... isso fica para um dia quem sabe, vi na narrativa espírita algo bem próximo do que você contou. Que fique claro não é justificativa : Só reflexão mesmo! Ouvi ( digo li...quem sabe vi rsrs ) um relato de uma moça que foi morta e possuía em vída certo grau de autismo, cuidava-se bem, era linda e etc, tinha muito gente envolta cuidando, mas ao mesmo tempo amando, porque ela sabia se cuidar (preservando as devidas necessidades ), até que um Tio muito querido da família, passou a vê-la com olhos mais aguçados. Ao tempo que se formava como mulher, exalava feminilidade e lógico atraia os homens, mas ela não tinha nenhuma intenção ou ação para dar respaldo aos interesses, era " na dela " gostava muito de novelas, desenhar e bordar. Mas, como luciana narrou : " se vestia mal "; parte que a mãe tinha essa preocupação de não atrair os homens, parte que a mãe achava que na religião Deus " cura " autismo, sendo qualquer grau... Enfim, vamos ao principal: A cada dia que passava, seu tio mais e mais se aproximava, e já era o faz tudo da família por ela. Desde médicos, a passeios, era o homem que amava a sobrinha loucamente ( muito louco mesmo ), todavia esse amor não era "correspondido " com tamanha intensidade. Então, perto de perda toda a razão, ele começou aos poucos molestá-la, de um jeito que a incomodava, mas não era o suficiente para ela contar para os pais e a família. Daí em um dia de bastante sol, para um passeio ele foi levá-la e em um bosque fez piquenique. O dia estendeu-se até quase anoitecer e perto de ir ele a levou para um derradeiro passeio mata dentro, com a intenção de contá-la o que sentia. Sabemos, pulando o trágico final, que ele a enforcou no ato do sexo forçado e contou a família que foi vítima de um maníaco desses que o acertou na cabeça, vindo atordoá-lo, ( ele fez em si mesmo o machucado ), infelizmente, de novo esse crime nunca foi revelado quem foi. Mas no mundo espiritual, ela soube que um dos planos era se tornar " invisível " nessa vida. Muito por ter tido uma outra totalmente avessa a esta escolhida, com muitos erros, muitos casamentos, " viuva-mortal " era seu apelido na vida anterior. Um dos maiores foi ter feito o irmão se apaixonar ao ponto de virarem amantes, e ele ter participado dos crimes, para juntos perpetuarem riqueza, sexo e amor a cada novo intervalo de um casamento a outro. Adivinha quem era o tio?
Parenteses do autor do blog:
Vinte e sete anos de espiritismo, um irmão morto em circunstâncias similares, mas não parecidas quanto a sua, e depois de ler diversos relatos e até ouvir... ouvir? É... isso fica para um dia quem sabe, vi na narrativa espírita algo bem próximo do que você contou. Que fique claro não é justificativa : Só reflexão mesmo! Ouvi ( digo li...quem sabe vi rsrs ) um relato de uma moça que foi morta e possuía em vída certo grau de autismo, cuidava-se bem, era linda e etc, tinha muito gente envolta cuidando, mas ao mesmo tempo amando, porque ela sabia se cuidar (preservando as devidas necessidades ), até que um Tio muito querido da família, passou a vê-la com olhos mais aguçados. Ao tempo que se formava como mulher, exalava feminilidade e lógico atraia os homens, mas ela não tinha nenhuma intenção ou ação para dar respaldo aos interesses, era " na dela " gostava muito de novelas, desenhar e bordar. Mas, como luciana narrou : " se vestia mal "; parte que a mãe tinha essa preocupação de não atrair os homens, parte que a mãe achava que na religião Deus " cura " autismo, sendo qualquer grau... Enfim, vamos ao principal: A cada dia que passava, seu tio mais e mais se aproximava, e já era o faz tudo da família por ela. Desde médicos, a passeios, era o homem que amava a sobrinha loucamente ( muito louco mesmo ), todavia esse amor não era "correspondido " com tamanha intensidade. Então, perto de perda toda a razão, ele começou aos poucos molestá-la, de um jeito que a incomodava, mas não era o suficiente para ela contar para os pais e a família. Daí em um dia de bastante sol, para um passeio ele foi levá-la e em um bosque fez piquenique. O dia estendeu-se até quase anoitecer e perto de ir ele a levou para um derradeiro passeio mata dentro, com a intenção de contá-la o que sentia. Sabemos, pulando o trágico final, que ele a enforcou no ato do sexo forçado e contou a família que foi vítima de um maníaco desses que o acertou na cabeça, vindo atordoá-lo, ( ele fez em si mesmo o machucado ), infelizmente, de novo esse crime nunca foi revelado quem foi. Mas no mundo espiritual, ela soube que um dos planos era se tornar " invisível " nessa vida. Muito por ter tido uma outra totalmente avessa a esta escolhida, com muitos erros, muitos casamentos, " viuva-mortal " era seu apelido na vida anterior. Um dos maiores foi ter feito o irmão se apaixonar ao ponto de virarem amantes, e ele ter participado dos crimes, para juntos perpetuarem riqueza, sexo e amor a cada novo intervalo de um casamento a outro. Adivinha quem era o tio?
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