segunda-feira, 11 de julho de 2016

Sua solidão armada




A solidão acompanhada de glamour
Tenho vista pessoas lindas sozinhas. E não estou falando de acompanhadas! Até podem estar repleta de outras pessoas ao seu redor, mas isso não muda a sua solidão interior.

Se fosse um poema começaria assim:

Mas não amou tanto

Ela até viajou muito. Ela viveu como quis. Pulou de paraquedas, viu o mar de navio, dançou balé clássico, saboreou todos o vinhos da casa do Porto, comprou seus melhores vestidos (...)

É um cheio repleto de glamour sem resposta. É um continuo motivo de sair de casa ver outras pessoas, escutar música, mas não se enturmar e nem conversar. O que resulta em celular na mão e uma fuga. O que fez culminar até este ponto?
 
Eu não sei! Mas pretendo diluir as nossas falhas.

Escolhemos tanto, que não percebemos que fomos nós agora os preteridos da vez. Acontece sempre na vida isso. A beleza é um fato importante apenas para o espelho e para o ego. Se não alimentamos o nosso conteúdo como pessoa, a vida cobra essas carências. 

Decidimos que agora somos bons demais, para dar atenção a qualquer um. Só não entendemos que quem decide a sua importância ou não são os nossos atos e como as pessoas nos percebem.

Lógico que nem todo mundo liga porque está sozinha. Até se curte e curte com boa desenvoltura o estado de solteira sim, e daí? Não é ruim, muito pelo contrário, nos da permissão para se descobrir pontos em que somos fracos, sem a desculpa de deixar que outro resolva por nós. 

Más, nem falo disso: a verdadeira solidão de toda alma é latente nos olhos. Somos um ser carente de toques. E não é todo toque e nem toda pessoa. Porém, famintos por uma dieta de amor imposta, nos colocamos às vezes fora da realidade. Acreditamos que nós temos todas as respostas. E não temos! Ninguém tem, porque a vida não é bula de remédio; o que me serve de cura, não servirá para mais ninguém – contudo há de se entender as contraindicações, nos pormenores avisos e linhas em que foi emitido - Atenção: Use com moderação ou acabará só por não ser prestável para mais ninguém. De tanto se achar importante, de tanto cultivar as escolhas, como se fossem raros frutos que dão apenas em nossas árvores e por tantos outros erros em que também estivemos presente, colhemos os efeitos colaterais dessa conduta.
Talvez aquela linda mulher que circulou e distribui sorrisos, dançou, acenou para uns e outros; estivesse ali, mas de fato longe de corpo e alma.  Sorriu porque só tinha essa arma como controle. Dançou para não responder “às perguntas”, acenou para uns para ser educada e evitou outros para não se tocada.
Ela encontrava-se cercada de pessoas, mas nenhum faria tanta falta.

É... A gente escolhe e recebe.
Grita-se e não se escuta!
É um som abafado sem volta. Ela desfilou cheia de glamour. Ela circulou na pista das mudanças. Ouviu todas as musicas que a tocaram bem perto, mas ela assim mesmo preferiu se armar a ser amada.

As minhas razões




 A carta

Tenho uma mania nostálgica de ligar memórias às pessoas em pontos nas ruas ou lugares que passo de carro, sobretudo quando estou dirigindo em horários calmos, cujo transito é quase nenhum, tentando me perguntar o que fez aquela pessoa quando passou ali? Faço isso sempre que penso em alguém que se foi para sempre. Porque é como se eu dissesse a mim mesmo, eu passo agora aqui, mas ela não passará mais.
Dá até vontade de escreve uma carta tentando-me desculpar por não ter me despedido corretamente. Por sinal a gente vive tanto em torno do nosso próprio ego que nos esquecemos até de perceber as outras pessoas quando estamos juntos delas.

Fui a mais um desses grandes encontros de” amigos antigos”, nem todos estão afastados lógico, sempre nos vemos, conversamos e temos amizade diária, mas na sua maioria é óbvio que perdemos o tato de como chegar; como diria o poeta: “No rio da vida, passou muito água sob a ponte”, e com as águas, foi embora toda intimidade propícia das grandes amizades.  Daí que você descobre que se quiser mesmo vai encontrar desculpas para não puxar conversa com esse ou aquele; percebe que se fizer um esforço vai ter todas as razões para continuar com um grupo seleto aqui ou acolá e não vai perguntar nem como vai para aquele ou aquela da festa. Tem sido assim com todo mundo. Parece que com os anos, certas coisas ainda permanecem presas na memória.  Não é privilégio só meu – vejo essa mesma condução com outros tantos amigos... “Se ele não fala, eu também não falo!” Termina a festa e mais uma oportunidade foi perdida. Sabemos que foi maravilhosa, a festa! Mas não conversei com todo mundo. Talvez nem quisesse ultrapassar a barreira daquele meu grupinho seleto. 

Nas cartas de Marco Polo para o monge Sifu, perguntou-se sobre a razão da tristeza. E o velho monge respondeu: “Se você quiser, vai encontrar uma desculpa ou outra para continuar triste. Provavelmente estará certo sobre suas razões. Provavelmente todos estarão certos sobre haver desculpa suficiente para ficar triste a vida toda. A razão sempre existirá forte para aqueles que querem continuar tristes...”

Muito corretamente Sifu queria dizer que se você quer continuar certo sobre suas razões, haverá de encontrar respaldo para tudo. Porque ninguém vai satisfazê-lo nunca.  As pessoas não nasceram para preencher nossas vidas completamente. Daí que é apenas opção sua manter-se longe de tudo e de todos. É opção sua, escolher quem ou quais farão parte de sua caminhada nessa vida. Mas, todos, de algum modo com prazo curto ou longo, terão que cuidar da sua própria jornada com ou sem você. Daí elas também terão suas próprias desculpas e suas próprias razões para não falarem como era antes com você.

Por isso pensei na carta que deveria escrever para cada um que deixei passar. Muita gente deixa para sentir falta, culpa ou remorso quando não tem condição alguma de sentir... quando a vida leva essa ou aquela pessoa do nosso convívio. Todo dia criamos a desculpa que amanhã ou depois eu falo. Eu resolvo.
Provavelmente muita gente tem seus motivos para não falar com esse ou aquele. Todos serão válidos, até porque muito certamente eles terão também os mesmos argumentos que você ou eu tenho para não fazer nada a respeito. E assim o tempo passa como um relógio acelerado. O mundo não será o mesmo. Nem eu ou você muito provavelmente passaremos mais  mais por aqueles mesmos lugares; não deixaremos mais marcas em lugares ou situações em que ambos estivemos presentes... As desculpas ganharam da gente.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Meu pai e o mágico



Meu pai e o mágico - minha lembrança...


Ontem eu sonhei com meu pai a noite toda, e deu aquela saudade imensa dele. A gente sempre teve um bom companheirismo, sobretudo na fase adulta, riamos das mesmas coisas e de vez em quando passávamos horas vendo filmes.

O que me fez remeter uma lembrança antiga, de uma única vez que levei um cascudo dele; e pensando hoje: bem dado, fiz por merecer.

Era um mês de julho chuvoso em São Paulo, não parava um só dia de chover, eu de férias com 11 anos, minha mãe teve que viajar para o nordeste com meu irmão e só tinha em casa eu e meu pai. Meu velho trabalhava de motorista de frota de ônibus quase o dia todo, só retornava à noite, eu ficava na vizinha, mas chovendo e cheio de ordens dele para não dá trabalho, eu quase tinha virado um monge budista mirim. 
Com minha mãe eu aprontava, apanhava, mas dava para levar, porque quase não doía nada e ela já estava acostumada com minhas zoeiras de brigar na rua, escalar paredes, subir em árvores e etc. Já com meu pai que quase não sabia dessas coisas e visto a sua postura austera, eu não tinha a menor ideia de como ele reagiria. Só imaginava uma surra tremenda e um sermão das montanhas quando terminasse.

Então por uma semana e meia eu me portei exemplarmente! Até que na sexta-feira seguinte, fui como sempre à banca de revista para comprar um gibi da Marvel, quando me deparei com uma revistinha que ensinava “Aprenda a ser um mágico”; putz! Gamei na hora! Investi toda minha mesada de bom menino que meu pai me deu nessa revistinha de mágico; até porque vinha nela um brinde: “Fósforo mágicos”. Consistia numa caixa similar a qualquer outra, com palitos iguais, nada de mais de diferente, entretanto “explodiam” feito bombinhas de São João. Nessa época nada era politicamente incorreto e pregar peças ou comprar coisas assim era o show. Comprei a tal revista, levei para casa e contei 24 palitos de fósforos “mágicos”, testei três deles, e realmente fazia barulho e emitia uma luz azul clara intensa.

No sábado meu pai ficaria em casa o dia todo, e lógico que eu apresentaria meu número principal a ele; assim pensei...

Nesta manhã, meu pai acordou cedo, foi lavar roupa nossa no tanque, não me chamou para ajudar, fez meu café e deixou-me acordar tarde. Quando eu tomei o café fui varrer a casa e passar pano, e ele me dizendo como era bom ajudar a mãe nessas coisas, e que não podíamos deixar a casa suja para quando ela voltasse. Enfim fizemos uma faxina completa, roupas lavadas, tivemos que deixar secando atrás da geladeira algumas e outras dentro do banheiro, improvisando um varal porque ainda chovia, mas fino, uma garoa no sábado em São Paulo. Meu pai avisou que iria fazer o almoço e depois iria jogar sinuca no bar do japa no bairro, me deixaria ir para jogar nas máquinas de fliperama porque eu estava sem brincar fazia dias. Lógico fiquei todo alegre e resolvi aprontar à mágica rapidamente, sem ele saber, afinal mágico que é mágico não revela seu truque, né?! Esperei que ele saísse da cozinha e troquei a caixa de fósforo normal pela do “mágico”.
Fiquei como um totem, duro, tenso na cozinha, esperando ele ir ligar o fogão para ver sua reação.
Não demorou não! O velho veio da sala pegou a frigideira e a carne que já estava toda temperada por ele previamente, e colocou as tiras de filé na frigideira e também foi colocando as panelas de arroz e feijão, ocupando todas as 04 bocas.

E minha hora chegando, a hora que eu mostraria um grande truque de mágica. Estava igual pinto na merda, ansioso com o evento que se aproximava. Meu velho pegou a caixa e nem olhou nada e começou abri-la pegando o primeiro fósforo... posso dizer a você que leu até aqui, que na minha cabeça isso tudo era como câmera lenta, eu estava muito focado na ação dele, e nem respirava de emoção com o desfecho chegando. E pronto, meu pai escolheu a panela da frigideira como a primeira à ser acesa... e assim riscou o fósforo bem pertinho da boca, o que eu achava antes que seria feito de longe, mas não... ele fez debaixo da frigideira, colado com a boca do fogão... e a mágica aconteceu: 

- Foi um tiro de bala praticamente. A casa toda fechada e só nós dois, o eco foi de um revolver sendo disparado. A tensão toda fez meu pai sacudir a frigideira para o alto e o clarão azul tomou conta da cozinha; porque ele não pegou um, mas dois ao mesmo tempo para acender. E nisso todas as panelas caíram do fogão, pelo medo dele, saiu batendo e se apoiando em tudo que era canto da cozinha, principalmente querendo me proteger, só sei que na hora eu emiti um riso de nervosismo e por achar muita graça mesmo, dei aquela gaitada ampla de moleque o que me fez entender porque é que nunca tinha apanhando antes... Senti no rosto uma mão quente e dura sacudir minha cabeça igual um melão vindo no carrinho de feira e um cascudo tão grande que ele chegou a estalar os dedos nela só com o cascudo. Eu, nem tive tempo de chorar, corri feito menino com medo de apanhar e voei pela janela como um passarinho que descobriu uma fresta, na gaiola -  fui parar na rua, enquanto eu o ouvia abrindo a porta e correndo a trás de mim.

Fiquei lá o dia todo, até a noite, enquanto ele prometia que o mágico iria ver a varinha balançar no meu traseiro. Não adiantou eu explicar lá de longe que era um número de mágica. Não adiantou eu fazer promessas. Não almocei, e a vizinha foi intervir e ficou comigo até que ele se acalmou. À noite fui pra casa e não apanhei, ele também não disse uma só palavra, por dez dias, ficamos calados dentro de casa. Até que minha mãe chegou e botou ordem. Fui rebaixado de mágico oficial para leso oficial. E nunca mais pude comprar coisas desse tipo e por 04 meses não li gibi algum.

Antes de morrer, meu velho ainda se referia a isso a todo mundo que perguntava sobre minha infância. Ele ria muito, porque agora ele achava graça, mas na época pensava que o botijão tinha explodido ou algo assim. Valeu pelo sonho meu velho...

quarta-feira, 6 de julho de 2016

As muitas voltas e voltas




O mundo dá muitas voltas, amigo. O relógio vai ao meio duas vezes por dia, só pra demonstrar que o que não deu certo agora, pode mudar depois.

Perder e vencer são duas coisas certas na vida. É fato que saboreamos as doces conquistas, e tomamos um caldo amargo com algumas derrotas.
Pode ser que na sua ou na minha vida, haja até mais derrotas. Mas, vencer também é algo plausível.

Assim é na vida, com tudo que vivemos e experimentamos. Pessoas que têm medo do “Não”, nunca vai ter o prazer de conquistar um “SIM” suado e lutado.
E por que o  medo da palavra NÃO.

Porque um "não” - representa um retrocesso, um contratempo ou uma derrota em seu anseio por ser aceito. Por isso, muitos preferem abster-se de tentar certas coisas.

Um não é um caminho para uma porta que não escolhemos, cujo o resultado é um imenso mistério ou um abismo sem fim; depende muito de quem e como o aceita. Eu, já digo que devemos tentar tudo sempre. Um não é apenas uma palavra, nada mais.
Se não for dita agressiva, de maneira jocosa ou humilhante, é apenas uma palavra.

Lógico que existem pessoas obscenas, doentes, loucas para descontarem suas neuras e suas perdas em outras, agem como predador à espreita de alguém que se aproxime pra dar um corte na carne. NÃO redondo (com requintes de crueldade), mas isso cabe no exemplo acima. O mundo dá voltas. E nessas voltas, quem esta por cima, fica por baixo, e o pé na bunda, nasceu para todos.

Perguntar, se oferecer, insistir, tentar, vale muito a pena em vários campos da vida. Vale muito tentar um aumento de salário, se você for um funcionário exemplar e lucrativo. Vale muito, tentar conquistar aquela moça que sorri pra você, e que gasta horas de papo conversando. Vale muito à pena, tentar voltar quando existe chama de alguma coisa. Vale insistir no filho (a) perdido, quando a gente entende as suas razões. É digno brigar por uma amizade e reconquistar pessoas amigas, porque elas assim merecem. E tantas e tantas coisas que vale muito insistir e persistir.
Só não vale fugir a vida toda de si mesmo. Grande parte das pessoas, acabam por desistir de muita coisa, e se sente "bem" em se isolar do mundo, com pena de si mesmo ou medo de sofrer. Um outro dia eu estava elucubrando sobre o perfil do destino. Eu, você e qualquer um daqui já cogitamos na possibilidade de não ter feito determinada coisa na vida. E isso gerou um arrependimento. Tanto quanto fizemos algo e isso resultou em dúvidas, sobre o que teria acontecido se " eu" não tivesse feito ou optado por outro caminho. Acho que é um momento universal para todos julgar decisões tomadas ou não tomadas. O que me leva sempre ao mesmo questionamento, você hoje abriria mão do que veio desse resultado? Iria por outro caminho? Sacrificaria o que desse acontecimento surgiu? É a grande pergunta na cabeça de muita gente.E muito disso se resulta justamente porque  lá atrás em algum momento de sua vida, não quis tomar partido de nada, tentou esquivar-se de uma posição, afim de deixar o destino seguir, e ele segue - como sempre tem feito.E dentro dessa premissa é que sobra os questionamentos... como não fui decisivo sobre minha vida, não estive lá senhor dela, algo teve de acontecer para hoje chegarmos aqui.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Uma mulher completa.




Se eu pudesse opinar, diria:  - Escolha viver com uma mulher convicta de valores.
- E quais valores são esses?
Todos os que a libertam da escravidão do comodismo, da zona de conforto, das desculpas, do atraso sexual, da subserviência aos homens sem escrúpulos, das amarras do medo para ser livre pelas suas escolhas.

Escolha uma mulher livre com personalidade.
Ela tem opinião própria, mas procura ouvir.

É independente, mas quer estar contigo, mesmo não precisando.
Eu vejo uma mulher cheia de poderes. Todos os poderes do mundo para ser feliz e escolheu fazer você feliz também.

Que faz o que quer e como quer...
Que está disposta a qualquer coisa.
Que sabe cuidar - cuida porque decidiu cuidar.

Porque uma mulher cheia desses valores contagia qualquer homem.

Relacione-se! Vá atrás dessa mulher que sabe ouvir a você porque você sabe muito bem entendê-la.
Namore uma mulher que valorize uma cerveja gelada ao seu lado, sentindo rica de amor.
Mulheres convictas chama atenção!
Mulheres inteligentes são inevitáveis.

Em suma: Namora essa mulher que no final de uma briga ou começo das pazes ,decidiu dizer que sentiu a sua falta.

Ela é um espírito livre. Ela é completamente dela.